#PraCegoVer: visibilidade e acessibilidade para quem não é visto

A #pracegover já tem um tempo desde sua criação em 8 de outubro de 2016 pela professora Patrícia Silva de Jesus, especialista em Educação Especial e Educação Inclusiva, conhecida como Patrícia Braille. Mesmo assim, muitas marcas ainda não incorporaram essa prática em suas postagens nas redes sociais.

E para trazer mais consciência para esse tema tão importante que é a visibilidade, resolvemos falar um pouco sobre essa hashtag e sobre a questão da acessibilidade para pessoas com deficiência visual no Brasil.

Que coisa mais linda!

Essa é uma frase bastante comum em uma legenda de um post nas redes sociais e geralmente ela está atrelada a uma impressão que o usuário teve sobre uma imagem ou vídeo que ele compartilhou. Agora tente imaginar essa legenda sem nenhuma imagem atrelada. Ela pode significar qualquer coisa, certo? Até mesmo uma frase irônica.

É exatamente isso que um usuário cego interpreta das postagens da sua marca nas redes sociais: nada. E você talvez esteja pensando, mas por que eu tenho que adaptar minhas postagens para esse público? Bom, além do fator empático, temos mais de 6,5 milhões de cegos ou pessoas com baixa visão no Brasil atualmente. Isso representa mais de 3% da população brasileira.

Como funciona a #pracegover

Normalmente, a hashtag funciona como um recurso técnico das redes sociais para agrupar conteúdos dentro de uma mesma temática. No caso da #pracegover, a ideia é diferente: é como se uma outra rede social existisse dentro do Facebook, do LinkedIn ou do Instagram, uma rede social especial para pessoas com algum tipo de deficiência visual.

Essa hashtag deve aparecer na legenda, seguida de uma descrição bastante específica da imagem. Não precisa ser uma descrição engessada, como se estivesse narrando tudo de forma direta e ponto-final. Você pode contextualizar e humanizar o texto que acompanha a hashtag com a linguagem da sua marca.

Com isso, pessoas com deficiência visual vão conseguir “ler o conteúdo da imagem” através de leitores de tela, aqueles softwares que convertem todas as informações apresentadas em forma de texto para uma voz sintetizada.

Mas como colocar a #pracegover em prática?

Resolvi pegar as dicas direto da fonte – o texto integral da Patrícia no Facebook – para guiar o processo:

A) Coloque a hashtag #PraCegoVer

B) Anuncie o tipo de imagem: fotografia, cartum, tirinha, ilustração, GIF, vídeo, etc…

C) Comece a descrever da esquerda para a direita e de cima para baixo (a ordem natural de escrita e leitura ocidental).

D) Informe as cores: fotografia em tons de cinza, em tons de sépia, em branco e preto se a foto for colorida, não precisa informar “fotografia colorida”, porque você vai dizer as cores dos elementos da foto na descrição e a indicação ficará redundante. Se você já vai dizer que a moça está de casaco vermelho, ao lado de flores amarelas, não preciso dizer que a foto é colorida.

E) Descreva todos os elementos de um determinado ponto da foto e só depois você passa para o próximo ponto, criando uma sequência lógica.

F) Descreva com períodos curtos se for possível com 3 palavras, não use 5, por exemplo.

G) Procure começar pelos elementos menos importantes, contextualizando a cena, e passe a afunilar até chegar ao clímax, no ponto-chave da imagem.

H) Evite adjetivos. Se algo é lindo, feio, agradável a pessoa com deficiência é quem vai decidir, a partir da descrição feita.

Quer um exemplo?

#PraCegoVer

Descrição da imagem: Sobre um fundo branco escrito em Braille, está um emoji irônico, na cor amarela, usando óculos “Turn down for what”. Imediatamente abaixo, em letras brancas com contorno preto, a hashtag #PraCegoVer, seguida da expressão “perguntas e respostas”.

Humanizar sua marca não é só fazer storytelling

A humanização e empatia são pontos muito cobrados hoje na comunicação corporativa e é bastante comum ouvir de uma empresa que precisa humanizar sua marca, tornando sua comunicação mais leve, menos engessada e mais próxima de seu público. Sim, de fato esse é um ponto extremamente necessário para basicamente todas as marcas que ainda não estão com um tom de voz tão alinhado com seu público quanto seria possível.

Entretanto, humanizar a marca não se trata apenas da comunicação verbal ou escrita. Trata-se de enxergar as diferenças do seu público, aprender a respeitá-las e trazer soluções – como a #pracegover – para conseguir atingir essas pessoas que precisam de uma atenção diferente para “enxergar” a mesma marca.

Usar a #pracegover é um exercício poderoso de empatia e humanização, afinal é necessário se colocar no lugar de uma pessoa cega para poder contar a mensagem que a imagem passa. Isso ajuda inclusive a enxergar o mundo de forma diferente, não deixando passar os detalhes e complementos que muitas vezes esquecemos de prestar atenção.

Fonte: https://www.facebook.com/PraCegoVer/posts/tire-todas-as-suas-d%C3%BAvidas-sobre-o-projeto-pracegover-pra-iniciar-um-aviso-impor/1282608151769692/

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